|
|
 |
| |
|
|
| |
Artigos |
|
| |
|
|
| |
« Voltar a página de escolha de artigos |
|
| |
|
|
| |
| |
Como lidar com o medo da morte iminente?
23/11/2007
Os sintomas do transtorno do pânico são muito intensos, acima do que
poderia ser considerado o limite de ansiedade normal
Sensação de morte iminente por um ataque cardíaco... A pessoa sente falta de ar,
o coração dispara e o suor pode empapar a roupa. Em questão de segundos,
surgem uma série de sintomas: boca seca, tremores, taquicardia, falta de ar, malestar
na barriga ou no peito, sufocamento, tonturas. Essa é a descrição para o
que ocorre durante uma crise de síndrome do pânico, também chamada de
transtorno do pânico. “O distúrbio é uma das formas de manifestação da
ansiedade patológica, uma das mais limitantes para a vida do paciente.
Os sintomas do transtorno do pânico são muito intensos, acima do que poderia
ser considerado o limite de ansiedade normal, poderíamos dizer até que esta é a
manifestação do grau mais alto de ansiedade”, afirma a psicóloga Adriana de
Araújo, especializada no tratamento de fobias.
O que caracteriza o pânico é a forma súbita com que os sintomas aparecem e o
fato de a crise atingir o pico em até 10 minutos. “Quem sofre com o mal vive em
constante sobressalto, pois não sabe se as crises vão se manifestar novamente
dali a minutos, horas, dias ou meses, o que gera intranqüilidade e insegurança. É
muito freqüente que as crises sejam acompanhadas pela sensação de que algo
trágico, como a morte súbita ou o enlouquecimento estão por acontecer, o que
traz tamanha insegurança que a qualidade de vida do paciente fica seriamente
comprometida”, diz a psicóloga.
Segundo Adriana de Araújo, quanto mais preciso o diagnóstico e mais precoce o
início do tratamento, maiores as chances de reversão do quadro. “É comum,
ainda, pessoas com transtorno de pânico fazerem uma verdadeira via crucis por
médicos de diversas especialidades antes de serem encaminhados para um
psiquiatra ou para um psicólogo. Isso decorre da variedade dos sintomas físicos
normalmente apresentados pelo paciente”, diz a profissional. “Muitas vezes, o
paciente não aceita de imediato o diagnóstico de síndrome do pânico, não acredita
que tantos sintomas físicos sejam provenientes de questões emocionais”,
completa a psicóloga.
O transtorno é de duas a quatro vezes mais freqüente nas mulheres, mas também
pode ocorrer com sinais semelhantes nos homens. A maior freqüência entre elas é
atribuída aos efeitos das alterações hormonais sobre algumas estruturas
cerebrais. “O mais comum é que o primeiro episódio de pânico se dê no início da
idade adulta, mas pode ocorrer em pré-adolescentes e adolescentes. É raro
ocorrer em pessoas com mais de 65 anos”, explica a psicóloga. “Lembrando, que
um único episódio de crise de ansiedade aguda não configura a doença da
síndrome do pânico. De certa maneira, todos poderíamos ter uma crise, sem
desenvolver a doença. A repetição dessa crise configura a doença em si e merece
o devido tratamento.”
As razões que levam ao transtorno permanecem desconhecidas. A genética pode
ter um papel importante, bem como influências ambientais, como a educação e
circunstâncias de vida. “Os gatilhos ou fatores desencadeantes podem variar de
caso para caso, como pressões no trabalho, iminência de casamento ou de
separação, nascimento de filho, perda de emprego, de dinheiro e outras perdas
significativas”, explica Adriana de Araújo, da Psiclínica.
De acordo com sua experiência clínica, a psicóloga aponta como uma soma de
três fatores a origem do problema. “O transtorno de pânico enquadra-se entre os
transtornos de origem multifatorial, ou seja, envolve a participação de fatores
genéticos, do momento de vida do indivíduo - principalmente aqueles em que ele
se sente desamparado - e do nível de estresse a que a pessoa está submetida”,
defende.
Também em decorrência de características individuais e da maneira como cada
um reage a situações de conflito no dia-a-dia, o transtorno ocorre de forma
diferenciada. Há graus leve, moderado e grave, de acordo com a intensidade dos
sintomas. “Os três componentes do quadro: ataques de pânico, ansiedade
antecipatória e comportamento de esquiva ou de evitação devem ser levados em
conta quando se busca determinar a gravidade do caso”, alerta a psicóloga. Os
casos mais leves, muitas vezes, se apresentam clinicamente como ataques de
pânico com poucos e limitados sintomas. Os ataques mais graves têm duração
maior, são mais freqüentes, apresentam um maior número de sintomas e estes
têm maior intensidade. Todos esses aspectos serão considerados cuidadosamente
na hora de determinar a melhor abordagem terapêutica.
Como na maioria dos transtornos psiquiátricos, tanto os medicamentos quanto a
psicoterapia são utilizados de forma complementar, mas não está descartado o
uso isolado de uma delas. “Se uma pessoa tem apenas ataques de pânico, sem
outro distúrbio associado, ela pode se beneficiar de uma medicação ou de
algumas técnicas de terapia comportamental cognitiva. Mas, no caso de
apresentar agorafobia, a resposta à medicação geralmente é limitada. Quando
pânico e fobia estão presentes, o tratamento combinado pode ser a melhor
escolha”, diz Adriana de Araújo.
O tratamento deve ser mantido por seis meses no mínimo e idealmente por um
ano. A melhora costuma ocorrer entre duas e quatro semanas, mas as alterações
biológicas demoram meses para desaparecer. Desse modo, se o tratamento for
interrompido nos primeiros sinais de melhora, 80% dos pacientes vão sofrer
recidiva em quatro a seis semanas.
“Quanto à psicoterapia, há intensa variação do tempo de utilização do recurso. O
que é importante esclarecer é que o transtorno de pânico não tratado pode se
complicar progressivamente. Raramente ocorre cura espontânea”, alerta a
profissional. Dentre as complicações mais comuns do transtorno de pânico não
tratado estão a depressão, o desenvolvimento de outros transtornos de
ansiedade, e ainda o abuso de álcool e/ou de sedativos, perdas profissionais,
sociais e muito desgaste nas relações familiares. Fonte: O Povo
|
|
|
| |
|
|
| |
« Voltar a página de escolha de artigos |
|
| |
|
|
|