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  Síndrome do pânico
19/04/2008

No episódio de pânico, a sensação de morte iminente provocada por um problema cardíaco tem duas explicações: a rapidez e a
forma inesperada com que a crise acontece. Como lidar com o medo da morte iminente?
Sensação de morte iminente por um ataque cardíaco... A pessoa sente falta de ar, o coração dispara e o suor pode empapar a
roupa. Em questão de segundos, surgem uma série de sintomas: boca seca, tremores, taquicardia, falta de ar, mal-estar na barriga
ou no peito, sufocamento, tonturas. Essa é a descrição para o que ocorre durante uma crise de síndrome do pânico, também
chamada de transtorno do pânico. “O distúrbio é uma das formas de manifestação da ansiedade patológica, uma das mais limitantes
para a vida do paciente.
Os sintomas do transtorno do pânico são muito intensos, acima do que poderia ser considerado o limite de ansiedade normal, poderíamos dizer até que esta é
a manifestação do grau mais alto de ansiedade”, afirma a psicóloga Adriana de Araújo, especializada no tratamento de fobias.
Ansiedade x ansiedade em excesso
A ansiedade é um estado emocional normal. Uma das características do sucesso da espécie humana é a capacidade de antecipar o perigo, o que requer uma
preparação geradora de ansiedade, que torna-se patológica quando deixa de ser útil e passa a causar sofrimento excessivo ou prejuízo para o desempenho da
pessoa. O transtorno do pânico é uma das formas de manifestação da ansiedade patológica.O que caracteriza o pânico é a forma súbita com que os sintomas
aparecem e o fato de a crise atingir o pico em até 10 minutos. “Quem sofre com o mal vive em constante sobressalto, pois não sabe se as crises vão se
manifestar novamente dali a minutos, horas, dias ou meses, o que gera intranqüilidade e insegurança. É muito freqüente que as crises sejam acompanhadas
pela sensação de que algo trágico, como a morte súbita ou o enlouquecimento estão por acontecer, o que traz tamanha insegurança que a qualidade de vida
do paciente fica seriamente comprometida”, diz a psicóloga.
Como diagnosticar?
Segundo Adriana de Araújo, quanto mais preciso o diagnóstico e mais precoce o início do tratamento, maiores as chances de reversão do quadro. “É comum,
ainda, pessoas com transtorno de pânico fazerem uma verdadeira via crucis por médicos de diversas especialidades antes de serem encaminhados para um
psiquiatra ou para um psicólogo. Isso decorre da variedade dos sintomas físicos normalmente apresentados pelo paciente”, diz a profissional. “Muitas vezes, o
paciente não aceita de imediato o diagnóstico de síndrome do pânico, não acredita que tantos sintomas físicos sejam provenientes de questões emocionais”,
completa a psicóloga.
O transtorno é de duas a quatro vezes mais freqüente nas mulheres, mas também pode ocorrer com sinais semelhantes nos homens. A maior freqüência entre
elas é atribuída aos efeitos das alterações hormonais sobre algumas estruturas cerebrais. “O mais comum é que o primeiro episódio de pânico se dê no início
da idade adulta, mas pode ocorrer em pré-adolescentes e adolescentes. É raro ocorrer em pessoas com mais de 65 anos”, explica a psicóloga. “Lembrando,
que um único episódio de crise de ansiedade aguda não configura a doença da síndrome do pânico. De certa maneira, todos poderíamos ter uma crise, sem
desenvolver a doença. A repetição dessa crise configura a doença em si e merece o devido tratamento.
Prováveis causas
As razões que levam ao transtorno permanecem desconhecidas. A genética pode ter um papel importante, bem como influências ambientais, como a
educação e circunstâncias de vida. “Os gatilhos ou fatores desencadeantes podem variar de caso para caso, como pressões no trabalho, iminência de
casamento ou de separação, nascimento de filho, perda de emprego, de dinheiro e outras perdas significativas”, explica Adriana de Araújo, da Psiclínica.
De acordo com sua experiência clínica, a psicóloga aponta como uma soma de três fatores a origem do problema. “O transtorno de pânico enquadra-se entre
os transtornos de origem multifatorial, ou seja, envolve a participação de fatores genéticos, do momento de vida do indivíduo - principalmente aqueles em que
ele se sente desamparado - e do nível de estresse a que a pessoa está submetida”, defende.Também em decorrência de características individuais e da
maneira como cada um reage a situações de conflito no dia-a-dia, o transtorno ocorre de forma diferenciada.
Há graus leve, moderado e grave, de acordo com a intensidade dos sintomas. “Os três componentes do quadro: ataques de pânico, ansiedade antecipatória e
comportamento de esquiva ou de evitação devem ser levados em conta quando se busca determinar a gravidade do caso”, alerta a psicóloga.
Os casos mais leves, muitas vezes, se apresentam clinicamente como ataques de pânico com poucos e limitados sintomas. Os ataques mais graves têm
duração maior, são mais freqüentes, apresentam um maior número de sintomas e estes têm maior intensidade. Todos esses aspectos serão considerados
cuidadosamente na hora de determinar a melhor abordagem terapêutica.
Como tratar?
Na maioria dos transtornos psiquiátricos, tanto os medicamentos quanto a psicoterapia são utilizados de forma complementar, mas não está descartado o uso
isolado de uma delas. “Se uma pessoa tem apenas ataques de pânico, sem outro distúrbio associado, ela pode se beneficiar de uma medicação ou de
algumas técnicas de terapia comportamental cognitiva. Mas, no caso de apresentar agorafobia, a resposta à medicação geralmente é limitada.
Quando pânico e fobia estão presentes, o tratamento combinado pode ser a melhor escolha”, diz Adriana.O tratamento deve ser mantido por seis meses no
mínimo e idealmente por um ano. A melhora costuma ocorrer entre duas e quatro semanas, mas as alterações biológicas demoram meses para desaparecer.
Desse modo, se o tratamento for interrompido nos primeiros sinais de melhora, 80% dos pacientes vão sofrer recidiva em quatro a seis semanas.“Quanto à
psicoterapia, há intensa variação do tempo de utilização do recurso. O que é importante esclarecer é que o transtorno de pânico não tratado pode se complicar
progressivamente. Raramente ocorre cura espontânea”, alerta a profissional.
Dentre as complicações mais comuns do transtorno de pânico não tratado estão a depressão, o desenvolvimento de outros transtornos de ansiedade, e ainda
o abuso de álcool e/ou de sedativos, perdas profissionais, sociais e muito desgaste nas relações familiares.

Fonte: www.mulhercomteporanea.com.br

 
     
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